Wednesday, July 13, 2011

Rumo a Split - dividido em duas partes (july 13)

Acordei cedo e arrumei as coisas, tomei banho, etc., e fui tomar o café da manha. O café até que era decente, com as mesmas coisas que tinham no U Prince... só que todas pioradas. Salsichas borrachentas com suco de laranja aguado. Botei o que eu pude pra dentro, pra durar a viagem pra Split sem almoçar, que afinal ja eram 11 da manha. Fiz o checkout ao meio-dia com uma atendente nova e bonitinha, e fui ver aonde pegava o onibus.... que so sairia as 1:50.

Subi pra mesma cabaninha da chegada, e vi que tinha uma area de turistas ali do lado com comes, bebes, etc. Comprei umas amoras que tinham cara de que tinham acabado de ser pegas no bosque (e devem mesmo ter sido), mais um apfelstrudel (de tudo menos apfel – amoras, poppy seeds, e nozes), e um litro e meio de agua, coisa que some por aqui. Alias, um fenomeno interessante – passo o dia inteiro tomando agua, mas ta tao quente, e to fazendo tanto exercicio, que nao faco quase nada de xixi. Evapora tudo, sei la pra aonde vai. A temperatura continua uns 35 graus, mas as arvores fazem um bom trabalho de amenizar o calor e fornecer sombra.

Na cabana encontrei de novo com a dupla holandesa, que pareceu um pouco surpresa de me ver. “Sera que ele vai querer viajar com a gente até a holanda?” devem ter dito uma pra outra, em holandes. Encontrei tambem umas americanas simpaticas que estavam fazendo um “semester at sea”. Traducao: estudar, junto com mais 700 alunos, em um navio que parte das bahamas e termina na grecia, passando por varios paises. Ô, tadinhas.... vida dura, essa. Ficamos ali na cabana batendo um papinho meio mole ate chegar o famoso onibus.

Passou um que ia pra split, mas passava por 4 cidades no caminho. Segundo uma menina, tinha um outro que ia direto, em menos tempo. Deixamos passar... Passou um segundo, e a mesma coisa – 4 cidades. O motorista falou, em um ingles quebrado – “All pass 4 cities”. Antes que ele saisse, eu pus a minha mala pra dentro, e subi no onibus. Vai que nao passa mais nenhum, aí eu queria ver. O grupo inteiro fez a mesma coisa. Pelo menos estou no caminho certo, split está cada vez mais proximo, e o cenario já mudou significantemente, de montanhês pra praiano. Mas $*$%#$ podia chegar logo essa cidade!!! Sao oito da noite, e eu ainda estou aqui no onibus. Pelo menos é um daqueles com janelas panoramicas, e ar condicionado. Se o meu fiel iphone nao estivesse ainda em coma, eu tava tranquilo aqui pesquisando Split na internet, acompanhando o trajeto no GPS, fazendo upload de fotos no facebook.... Volta, iphone, volta! Don’t go into the light!

***

Plitvice - day 2 (july 12)

Acordei cedo, crente que conseguiria acordar as 7:30, tomar um café reforçado, e sair pra explorar o parque no maior pique pra depois almocar e sair pra Split já tendo visto tudo. Ha, ledo engano.

Acordei 10 minutos antes do wake up call das 7:30 que eu tinha pedido, completamente desnorteado. Se tivessem me dito que eram 2 da tarde eu acreditaria. O corpo inteiro doia, mas em especial as panturrilhas. Alias, entre subir e descer morros com mochilas nas costas, e fazer hiking o dia inteiro, tenho feito bastante exercicio por aqui. Seja como for, voltei a dormir e só fui acordar as 10:30. Vi que seria besteira correr tanto assim, e decidi ficar mais um dia no hotel pra ver o resto do parque com calma, que afinal o visual aqui é matador.

Vi um pouco de internet, e depois fui pro hotel ao lado pra almocar um spaguetti a carbonara e uma entrada de salmão com torradas. Ontem o dia inteiro foi a base de agua e um aplfelstrudel, entao eu tava morrend de fome. O atendimento foi a passo de lesma reumática entediada, mas eventualmente saiu um carbonara decente, e uma pilha de torradas e salmão. Comida demais, na verdade. Nao querendo jogar tanta comida fora, pensei em levar as torradas pra trilha, entao pedi pra embrulhar, e voltei pro parque em busca da foto perfeita.

Ja eram 2:30 quando olhei no relogio, na entrada do parque. Daria tempo de fazer o maior percurso (o F, estimado em 6-8 horas), se eu acelerasse um pouco o passo. Agora era hora dos infeirores, que sao o cartao postal da cidade, e a tal da BIG WATERFALL. Como ja tinha visto um monte de cachoeiras, algumas inclusive bem grandes, esperava que essa tal de big waterfall fosse um monstro. Claro que foi meio decepcionante quando vi a tal da cachoeira, afinal tinha outra la no meio que era bem mais legal. O mesmo com o famoso cartao postal- o angulo que a gente consegue nao é tao bacana quanto as fotos de helicoptero do lugar. Mas verdade seja dita, nem precisaria de hype de lugar nenhum. O parque inteiro é um espetaculo. Um dos pedacos tinha umas cavernas que pareciam ser mais profundas, mas valeram bastante a pena pra mudar de ares. Apesar de super lindo, chega uma hora que sim, o visual fica um pouco repetitivo.

Nesta segunda parte eu passei um tempo com duas holandesas bonitinhas, a Marie e a Marta. A Marta era só enfeite, falou oi, e em algum momento respondeu a alguma coisa, mas era efetivamente acanhada demais (a propria Marie disse isso). A Marie era bem natural, como se fosse uma amiga fazia bastante tempo. Tem um namorado brasileiro (“estilo armario”, acabei descobrindo) que tem um hedge fund. Ou seja, só amigas temporarias mesmo... Mas valeu pra ter algumas fotos minhas (em contrapartido com as centenas de fotos de paisagens), que afinal se nao tiver uma ou outra o pessoal vai achar que eu fui pro guarujá e baixei essas fotos na internet em algum lugar.

Neste percurso maior tem um barco no meio do caminho, que atravessa o lago maior. Vale mencionar que os barcos sao todos eletricos, pra nao poluir o lugar. Tambem, apesar do calor escaldante, infelizmnte os turistas nao podem entrar na agua. Tambem pra nao poluir o lugar...

A rota maior acabava no topo do morro, aonde teria um bondinho esperando pra levar até em baixo. Como na ultima vez, consegui entrar no transporte na ultima hora, com a luz ainda mais baixa do que o dia anterior. Teria sido bem ruim perder este, tambem... de onibus foram mais de 20 minutos descendo o morro, imagina a pe, no escuro. Voltei para o hotel, e fiquei configurando o computador.

A noite, tive a brilhante ideia de ir tirar fotos da lua, e dos vagalumes que eu tinha visto no dia enterior. A lua estava quase cheia, e iluminava a rua com facilidade; nem seriam necessarios os postes de luz. Mas a ideia nao era ficar na rua, e sim entrar no mato.. ou pelo menos descer a rua pra dentro do mato. Era meia noite, e consegui umas fotos OK da lua, apoiando a camera na carteira e fazendo umas exposicoes longas. Estava andando pra la e pra ca na rua (completamente deserta) com uma camera na mao. Me senti o próprio Charles Bronson em Deathwish, com a diferença de que eu não estava acompanhado dos meus amigos Smith e Wesson. E ai comecei a pensar nos ursos... Ou em entao em assalto, sei la. Olhei pra dentro da mata, aonde a rua terminava. Se durante o dia a luz do sol já tinha dificuldade em penetrar, imagina a noite, com a luz da lua. Efetivamente, era um breu só, preto mesmo. OK, admito... afinei. Até porque a meta era tirar foto dos vagalumes (coisa que nao ia rolar de jeito nenhum sem tripe), ou da lua nos lagos (aonde eu nao chegaria sem ser esquartejado por um urso). Meio a contragosto, mas tambem meio aliviado, voltei pro hotel.... mais uma vez morrendo de fome.

Foi ai que eu descobri que nao tem nada aberto depois das 11 por aqui, nem mesmo o meu proprio hotel. Fui no hotel do lado, e nada tambem... nem uma maquina de tralhas, nem coca, nem nada. Aí lembrei das tres torrada embrulhadas em cellofane na mochila! Perguntei se a agua da torneira era potavel, e era, logico. Provavelmente a agua da torneira daqui é melhor do que a agua de muitos filtros por ai. E assim teminei a minha noite, comendo as melhores torradas borrachentas da minha vida com agua da torneira. E foi otimo!

Plitvice - july 11

Cheguei em Plitvice lá pelas 2:30 da tarde. Como previsto, a parada de onibus é uma casinha de madeira simples no meio do nada. A floresta em volta é composta por arvores altas e frondosas, e alguns pinheiros. Todo o chao é coberto por arbustos baixos, e a luz do sol quase nao chega ao chao. Fui em busca de civilizacao. Andei uns 100 metros pra cima, e achei uma casa um pouco maior aonde uns mochileiros franceses esperavam o proximo onibus. Bati um papo rapido com eles em frances, e eles me apontaram na direcao dos hoteis. O dia estava super ensolarado, mas ao mesmo tempo caia uma chuva de pingos pesados, mas espaçados. Aproveitei pra usar a cobertura de chuva da mochila pela primeira vez em um mes, todo satisfeito (.

Entrei no primeiro hotel que eu vi – o Bellevue. A atendente tinha toda a pinta de ser aquela do Monstros SA (Watchowski...), mas acabou sendo bem simpatica e prestativa. Peguei um quarto com varanda por 58 euros. Sem vista nem varanda era 52, mas valeu a pena. A vista do quarto era de varios pinheiros, e um jardim de grama bem cuidada durante o dia, e da lua quase cheia sobre as arvores, a noite. O Bellevue era a uns 150 metros da entrada do parque, nao podia ser mais bem situado.

Depois de por tudo no quarto e dar uma descansada de uns 20 min, desci pra entrada do parque, lotada com turistas de todo tipo. Paguei o bilhete, e peguei o onibus/trem de tres vagoes até o topo do parque. Fui instruido a pegar a rota E, de 2-3 horas (nao daria tempo de fazer muito mais do que isso até o parque fechar, as 7:30). Dividi o onibus com 3 espanholas que nao paravam de falar animadamente umas com as outras. Comecei a conversar com elas, e rolou uma sintonia. Fomos explorar o parque juntos.

Ainda na floresta (antes mesmo de ter visto a agua direito), ja tinha tirado um monte de fotos. O parque realmente era de uma beleza singular. A mata é super bem cuidada, e ao mesmo tempo voce ve que quilo nao é um jardim, simplesmente ficou daquele jeito porque nao mexerem muito, mesmo. Em partes dava uma impressao dos jardins de Monet – despojado mas arrumado ao mesmo tempo. Aí eu vi a agua do lugar.... rapaaz... que belezura. No raso a agua era completamnete transparente, mas a cor que prevalecia era um leve verde musgo. Assim que ia ficando mais fundo (inclusive dava pra ver bem a transicao com alguns troncos claros ques estavam afundados) , a agua ia tomando um tom aqua, e depois turquesa , com um aspecto opaco, uniforme. O sol forte acentuava mais ainda a beleza do lugar, com brilhos na agua, reflexos causticos nas pedras, e deixando as cores todas extremamente vivas. É dificil dizer que foi o lugar mais bonito que eu já vi, depois de ter morado no rio, ter ido pra Fernando de Noronha, etc. Mas certamente está nos top 5. A cada esquina, uma nova vista impressionante - uma cachoeira, uma gruta (que eu nem sabia que tinha no parque), mato iluminado por tras emoldurando uma ilha completamente refletida em um espelho d’agua . Era so olhar pra baixo que voce via uns 30 peixinhos a cada esquina, e volta e meia um peixe de uns 40cm nadando junto deles, todos relaxando perto das margens, sem medo dos turistas.

Fui acompanhado nesse passeio todo de descobertas pelas tres espanholas. A Beatriz (a de amarelo), era super simpatica e risonha, e era tão compulsiva por fotos quanto eu. Nao era bonita, mas de tao simpatica que era, ficava até interessante. Raquel (com a camisa colorida), era a mais bonitinha do grupo, com belos olhos azuis. Apelidei ela de GPS porque ela ficava puxando o mapa, olhando pro relogio, estava tensa com o caminho, ficava falando que tinhamos de chegar antes do ultimo barco zarpar, etc. Ela era simpatica, mas era mais quieta. A terceira era uma morena de 1.75m, meio ogra. Acho que era bem mais timida do que as outras duas, porque nao era antipatica, era só quieta mesmo. Tinha uma tatuagem bizarra do que eu acho era um daqueles cavalos marinhos (meio com jeito de alga) no peito esquerdo. Ou entao era alguma outra coisa muito mal desenhada.

Passamos umas 3 horas juntos passeando pelo parque e tirando fotos dos lagos mais altos. Na ultima hora o pique foi bem acelerado, inclusive com direito a corrida mesmo, no final. Nos falaram que se perdessemos o ultimo barco, as 8:20, teriamos de voltar o caminho todo a pé. No final das contas o tal do trecho que tinhamos de atravessar devia ter uns 60 metros. Ainda bem que nao perdemos o barco, ou eu teria estado tentado a nadar esse trecho segurando a camera pra fora d’agua... Aqui anoitece super tarde, mas mesmo assim a luz ja era visivelmente mais baixa. Mais uma hora e o sol se poria, e realmente nao seria bom estar dento da floresta quando isso acontecesse. Fora que aqui tem ursos marrom andando na floresta. De dia voce nem pensa nisso, mas a noite...

Seja como for, conseguimos chegar na ultima hora no barco, e deu tudo certo. Subimos pra parte dos turistas, e ficamos mais uma hora e pouco batendo papo, comendo apfelstrudel e tomando uns chopps... até porque fora isso, nao tem absolutamente nada pra fazer no parque. Ou é bater papo com alguem, ou é ver TV no quarto. Seja como for, voltei pra casa tarde, tipo umas 10:30, e fiquei um pouco na internet até o sono bater.

Zagreb - Jul 10

No final das contas a viagem de trem foi bem tensa, com 3 trens (duas trocas, uma com uma espera de 1 hora), depois uma viagem de onibus, e ai mais um trecho de trem. Aparentemente tinha alguma obra na linha, entao tiveram de desviar. A estadia em Zagreb foi bem curta. Mesmo sendo a capital da croacia, nao tem muito o que fazer aqui. Cheguei a 1:30, e peguei o primeiro hostel que eu vi anunciado na propria estacao de onibus, a umas quadras pra direita da estacao. O hostel ja é bem diferente daquele de portugal. Simples, feio, com cara de predio do DETRAN convertido em hostel com camas de dormitorio americano, e só um lencol pra cobrir – que no caso tá mais do que bom, ja que nao tem ar condicionado mesmo. Em compensacao, apesar de feio e escuro, o chuveiro ate agora foi o melhor da viagem, uma belezura! To comecando a julgar os lugares nao pelo acabamento/limpeza dos banheiros (meu ultimo metodo de julgamento), e sim pela qualidade dos chuveiros.

Aqui a sensacao é muito mais pra o que imagino ser a russia – tanto na lingua, quando no visual mais simples das casas. Fora do centro as casinhas sao todas de teto pontudo, mas minimas e coloridas. As mais empolgadas tem patos de plastico decorando os jardins. No centro da cidade as casas sao bonitas, e tem um estilo bem parecido com o de praga, barroco. A principal diferenca é que elas estao todas mais gastas, dilapidadas, sem manutencao. Fachadas lindas mas com tijolos a mostra, enfeites rococo mais amorfos, nao sei se por menos cuidado na hora de criar ou se pelo desgaste do tempo mesmo. A cidade é bem pequena, com dois jardins principais, uma catedral gotica animal com uma fonte com 5 figuras cobertas de ouro na frente, algumas pracas, e alguns predios mais interessantes (do governo, como de praxe).

Eu cheguei tarde num domingo, entao ja estava tudo fechado, e quase deserto. Quando vi um onibus de turismo na frente da catedral ja eram 4:30, e nao tinham mais tours. Almocei meia pizza super fininha e dois iced teas, na companhia calada de uns turistas com cara de homeless, entediados, sentados nas mesas ao lado. Aqui o sol está realmente de rachar, deve estar facil uns 35 graus. Pensei nas duas gringas super branquinhas com quem viajei em um dos trechos do trem, e como elas devem estar sofrendo. Mas nao pensei muito, afinal protetor solar é uma das invencoes dos ultimos tempos que mais funciona, e elas ja sao bem grandinhas.

Com o sol do jeito que estava, uma hora parei em um casino pra ver como era dentro, e tomar uma coca no ar condicionado. O casino era bem menor do que parecia, basicamente duas salas grandes. O hightlight do casino era a bartender, mais uma vez linda e super simpatica (so que esta era morena), realmente uma gracinha. Depois de duas cocas e uma fanta (parece muito, mas cada uma tem 200 ml), e ter trocado facebooks e tal, tentei ver se saia com ela, mas ela muito educadamente falou que iria sair com uns amigos dela. Para um bom entendedor, meia palavra basta... entao voltei pro hostel, ja que nao tava com energia pra ficar mais andando pela cidade.

Depois da viagem exaustiva de trem, com ar condicionado na cabeca do comeco ao fim (e do dia anterior carregando as mochilas por umas 8 horas), acordei resfriado e dolorido (mas nao muito, surpreendentemente). Fiz bem em pegar um quarto duplo no hostel so pra mim (40 euros, nao tava mal), porque quem quer que tivesse dormido junto comigo teria sofrido um bocado. Voltei pro hostel pra descansar um pouco, e acabei dormindo umas 2 horas. Acordei com febre, mas mesmo assim voltei pra cidade pra ver como era a noite. Mais vazio ainda, mas a iluminacao dos monumentos a noite é bem bonita. Apesar de me garantirem ser completamente seguro, como bom carioca eu fiquei meio preocupado de ficar andando a noite em uma cidade fantasma, entao voltei pro hostel e tentei dormir. Só fui conseguir horas depois, coisa que me atrapalhou na hora de acordar no dia seguinte. Acordei as 10:30, e o checkout era as 10 (apesar do check-in ser so a partir das 2 da tarde, curiosamente). Foram gente boa e deixaram eu arrumar minhas coisas e tomar uma ducha (otima), pra entao partir em direcao a... ? hehe

No lobby (ja com as duas mochilas) eu chequei meu email, e a Janine veio falar comigo no messenger. Uma hora ela ligou a camera e comecou um video chat, mas (mesmo nao sendo nada de mais) tinha gente demais em volta e eu desliguei. Um brasileiro que estava do meu lado (tem brasileiro em qualquer lugar, é bem impressionante) tirou um sarro, e a gente comecou a bater papo. Na verdade foi providencial ter falado com ele, porque ele tinha acabado de fazer o tour de todos os lugares que eu basicamente quero ver por aqui, e com isso montei o meu itinerario dos proximos dias.

No momento estou em um onibus indo para Platvice, aonde tem um parque nacional supostamente fantastico, e uns lagos bacanas. Vai ser um pouco corrido, ja que aparentemente la nao tem nem aonde dormir. Depois de fazer um hike por ali, vou pra Split, e dali pra outros lugares. Pela primeira vez em seculos tive a sorte de sentar do lado de uma loirinha muito bonitinha e simpatica. Alias, to com bastante sorte nesse aspecto. Ainda nao sentei do lado de nenhum fedido, coisa que por si só já é uma vitória.

Tuesday, July 12, 2011

Road to Zagreb

Agora de fato entrei no territorio desconhecido da viagem. Até que a transição foi suave, já que ontem não me deram a opção de continuar no hotel U Prince, e tive de achar um outro hotel logo de manhã. Acho que no final das contas eu estava um pouco acomodado naquele hotel, entao nem achei ruim ter de trocar. Por um lado foi otimo ficar la, porque durante quatro noites nao tive de ficar fazendo check-in e check-out, checando todas as tomadas pra ver se não esqueci algum adaptador, etc., e pude curtir bem o hotel. Por outro lado, devia ter trocado pelo menos uma vez, pra variar um pouco mais a experiencia (e o preco, que estava caro demais). Acabei não tendo a experiencia do hostel em Pragal, mas, verdade seja dita, não acho que tenha sido grande perda. Por alguma razão estranha, os mochileiros desta cidade parecem todos ser de um de dois tipos: turistas sem grana nenhuma mesmo (e meio hippies), ou moleques querendo encher a cara até cair nos famosos “stag parties”.

Com o meu fiel iphone em maos, em 5 minutos descobri um hotel a tres quadras dali que tinha uma nota de 9.2 na booking.com, o Barceló, por um preco equivalente. O hotel nao tem o mesmo charme autentico do U Prince, mas mais do que compensa com um visual moderno super bem acabado, pé direito duplo, e o mais importante- um chuveiro de verdade. Por alguma razao que eu nao entendo, os europeus (que alias tendem a ser enormes) preferem um chuveirinho instalado na altura do peito na hora de tomar banho. Entre os chuveirinhos pinga-pinga e o sabao liquido que nao sai nunca, o banho acaba sendo um ritual de pelo menos meia hora, uma bela perda de tempo. Nao sei se é causa ou consequencia, mas acho que essa ducha que nao convence é o X da questao quanto ao desapego que muitos europeus (e nao só os franceses) tem quanto ao seu cheiro medieval. Ontem de manha, quando fui comprar a passagem para Zagreb (croacia), uma senhora de aspecto bem apresentavel entrou na fila atras de mim. Um segundo depois veio o cheiro dela, algo que se pudesse ser engarrafado seria classificado como arma quimica. Fui obrigado a dar uns bons tres passos pro lado, e nao teve como nao dar risada da situacao. Deus queira que eu nao encontre uma dessas numa viagem de 12 horas de trem pra algum lugar.

A estadia no Barceló foi ótima, sem grandes acontecimentos. Tentei de todo jeito marcar alguma coisa com as minhas novas amigas russas, mas elas estava hospedadas muito longe e nao deu certo, infelizmente. Tinha decidido ficar em praga mais um dia só por causa delas (já imaginando todo tipo de cenario improvável), entao fiquei um pouco decepcionado. A noite, impassivel, decidi sair uma ultima vez em praga, e fui em busca do Bhudda Bar. O bar é um lounge que atende a um publico mais seleto, mais velho, e metido a moderninho. Na pick-up, um DJ famoso fazia o som perfeito pro ambiente escuro, decorado em tons de vermelho sangue. A iluminacao é feita com muitos pontos de luz, tanto das mesas quanto dos varios lustres, e da a impressao de que o lugar é iluminado por velas. No andar de baixo fica uma estátua de laque preto do Bhudda de uns 3 metros de altura que brilha com o reflexo de todos estes pontos de luz. Ou seja, o ambiente perfeito para uma despedida da cidade dourada. So tinha um detalhe: estava as moscas. Fora uns 4 casais de mulheres bonitas com uns caras mais velhos, o lugar estava vazio! Realmente, um desperdício. Saí de lá e fui em busca de umas fatias de pizza na mesma rua. Depois de duas otimas fatias de pizza com bacon, vi que o bar ao lado estava completamente lotado. Fui averiguar...Entrei no bar e logo vi que era do mesmo estilo de todos os outros de Praga aonde tem bastante gente: basicamente, um frat party fedido, cheio de copos quebrados no chao. Como diria o Danny Glover no Maquina Mortifera, “I’m getting too old for this shit”. Fui pra casa e dormi, tranquilo.

No dia seguinte parti pra terceira etapa da viagem. A primeira etapa foi acompanhado, de Cannes a Portugal, efetivamente com familia. A segunda etapa foi em praga, e foi a parte playboy/hotel da viagem. Praga é uma cidade que está em desenvolvimento há mil anos, entao mesmo tendo passado quase uma semana inteira na cidade, saio com a certeza absoluta de que alguem vai me dizer “Que, voce nao viu X? Ah, entao voce nao foi a praga!”. A teceira parte da viagem é a estapa aonde eu nao tenho certeza de nada- desde aonde eu vou até aonde eu vou ficar, e por quanto tempo. A ideia geral é ir para a turquia, e voltar a portugal (ileso) a tempo de almocar com o Erick, jantar com a Janine e o André, e pegar o aviao pro Brasil. A ideia original era passar em vienna, serbia, Dubrovnik (na Croacia), depois Grecia e finalmente turquia. Já mudou bastante... Cancelei Vienna e Serbia, nao dá tempo de fazer tudo (e tudo é interessante!). Achei que ia pra Dubrovnik, mas a passagem era quase 600 dolares, por alguma razao bizarra. Aparentemente a historia das passagens a 7 euros da Ryan Air é tao lenda quanto as pontes aereas pro Rio de 39 reais da Gol. Grécia ficou para o “vamos ver”. Quero muito ir, mas depende da situacao do pais (que no momento está mergulhado em uma crise profunda). Esta semana o FMI garantiu um emprestimo pra grecia de 3.5 bilhoes e euros, entao semana que vem os animos por lá devem estar mais tranquilos (quando comecar a entrar a grana). De qualquer maneira, a ideia seria uma passada rapida pelas cidades maiores, e depois fazer o tour das varias ilhas, aonde mal tem gente pra protestar qualquer coisa, quanto mais pra jogar coquetel molotov.

Sai do hotel com minhas duas mochilas – uma com todas as minhas roupas e uma lendária garrafa de champagne (que eu tenho levado pra passear desde Cannes), e uma preta, menor (de 6 euros), que contem tudo que se eu perder eu to ferrado. Basicamente, uma mula de carga com aspecto de turista (peso extra estimado em 25 kg). Peguei o metro e fui pro mall Palladium atras de comida e WI-FI gratis pra poder pesquisar aonde ir. Sentei num café, pedi uma coca de 200ml na maior cara-de-pau, e fiquei la o tempo que precisei no iphone. Decidi ir de trem para Zagreb, na Croacia (100 euros). Todo mundo fala super bem da croacia, achei que nao podia perder... e chegando lá eu dou um jeito de ir pra Dubrovnik. Peguei o metro e fui pra estacao de trem comprar a passagem. Nestas horas que vemos como não falar o idioma complica tudo... Acabou dando certo, mas foi um processo meio conturbado, apesar de interessante. Geralmente o povo por aqui fala algum ingles, e tem bastante boa vontade. O curioso é quando nao tem nenhuma lingua em comum mesmo, ou a pessoa é um funcionario publico meio sem saco. Tenta aí fazer a mimica pra “Dubrovnik”.

Com a passagem em maos, fui fazer o meu ultimo tour da cidade. Em especifico, queria de todo jeito ir pra uma torre feita pelo Eiffel em cima do morro. Nao que tivesse nada de mais na torre, mas era um dos ultimos itens do checklist que eu nao tinha visto, e ja tinha passado ao lado dela 2 vezes. Seja como for, encasquetei que tinha de ir pra maldita torre. Maldita torre em cima de um morro, a alguns quilometros da etacao mais proxima, com 25 kg nas costas. Pensei em por as mochilas em algum locker na estacao, mas achei que nao valia a pena. Isso porque quando eu pensei nisso eu ja estava a varias paradas da estacao, logico. Na verdade, eu tava a fim de testar um pouco essa historia de mochila, saber até aonde era pratico/possivel carregar tudo. Hoje, por exemplo, ja sei o limite.

No metro puxei papo com duas turistas- uma inglesa, a outra australiana, ambas muito simpaticas. Papo vem, papo vai, acabou coincidindo delas estarem indo pro hotel delas a caminho da torre, entao fomos juntos, batendo papo. No caminho descobrimos um jardim gigante escondido, na frente de um predio do senado que nao dá pra ver da rua. Alias, parece que tudo por aqui ou é embaixada ou é predio do governo. Seja como for, o jardim acabou sendo uma das coisas mais interessantes por aqui, uma surpresa agradavel. Tinha incusive um aviario dentro dele com umas 8 corujas “Badu Badu” de um pouco menos de um metro de altura cada uma – gigantes e mal-encaradas. Voltamos pro hotel das duas (que era em cima do morro, logico), e tomei o melhor iced tea da minha vida, em exatos 8 segundos. Depois pedi uma segunda jarra, pra poder aproveitar um pouco, porque afinal tava bom mesmo. E ali deixei as duas (sim, logo depois do iced tea), e continuei a caminho da torre.

A caminho da torre ainda parei em uma igreja no topo do morro (depois vejo o nome nas fotos), e voltei a parar no restaurante dos monges, aonde tem algumas cervejas criadas ali mesmo. Em especial, tem uma Indian Pale Ale que eu tomei no dia do tour de segway que era realmente muito boa. Pedi um pint dessa e duas linguicas na grelha com krenas e mostarda, a esse foi o meu almoco (muito bom, por sinal). Dali passei por um parque, fotografando abelhas, esquilos e estatuas a caminho do bondinho pra subir o resto do morro (que afinal tambem nao to pagando promessa). Chegando la, mostrei o meu ticket de metro na subida pra poder andar no bondinho, e fui em direcao a torre. Na torre, finalmente, tinha de pagar de novo pra subir de elevador: 150 czech crowns. Eu so tinha 148 (a importancia deste fato é revelada mais a frente), mas o cara foi gente boa e deixou passar. Lá em cima encontrei com mais um casal de brasileiros simpaticos, o Henrique (com cara de metaleiro europeu)e a Anaine, essa sim, aleluhia, com cara de brasileira. Nao dá mesmo pra saber que alguem é brasileiro ate que voce escute essa pessoa falar portugues, é bem impressionante. Bom, desci o morro sozinho dentro do bondinho. Lá em baixo, dois fiscais me pararam e pediram o meu bilhete. Aqui tudo funciona na base da confianca – voce pode entrar no metro, bonde, etc. sem pagar. Mas, se o fiscal te pega, é uma multa de 1500 crowns, ou, segundo o fiscal, 30 euros . Eu, me achando muito honesto, comprei o bilhete pra andar no metro, e fiquei contente de saber que ainda funcionava pro bondiho tambem. Só que nao me liguei que tinha um limite de tempo... Seja como for, o bilhete nao valia, e eu nao tinha o dinheiro. Aí os dois desataram a conversar: ”xxxxxx, xxxxxx, xxxx, policie, xxxx, xxxx...”. Que beleza.... A poucas horas de ir pra croacia, e me aparece uma dessas. Procurei na mala tudo que era moedinha, acabei juntando sofridamente 23 euros e uns crowns, pus a minha melhor cara de turista desamparado, e gracas a deus os caras se compadeceram e fizeram vista grossa. Uuuuuuuu, na traaaave! Inclusive, apesar de eu oferecer, nao levaram os 23 euros. Nota mental: tokens europeus tem limite de tempo.

Andei até um ATM (a uns 2 km dali), peguei dinheiro, e fui esperar na estacao antes que mais alguma coisa estranha acontecesse. A passagem para Zagreb era ininteligivel, a coisa mais confusa do mundo. Chequei 3 vezes o horario, o trem, etc., mas a sensacao de inseguranca, da certeza de que algum numerozinho daqueles queria dizer “terminal do outro lado da cidade” era inescapavel. Seja como for, ainda faltavam 2 horas até o trem. Tomei uma coca grande, e de repente a minha proxima missao ficou bem clara: achar um banheiro. Detalhe curioso: a estacao nao tem banheiros, em lugar algum. Ate tinha UM (pago, logico), mas esse ja tinha fechado. Realmente, uma joia do planejamento urbano. Seja como for, fui caçar um banheiro na cidade em algum lugar. Atravessei um parque escuro cheio de figuras sinistras, depois uma rua, e acabei em um hotel mais ou menos em frente a estacao. Perguntei se o restaurante estava aberto, e se podia usar o banheiro (tentando disfarcar qual dos dois era mais importante no momento). Resolvida a questao, aproveitei pra trocar a camisa encharcada de suor por outra limpinha (foi quase equivalente a tomar um banho). O restaurante nao estava aberto, mas tinha um barzinho redondo com uma bartender muito gata servindo uisque a um senhor mais velho, e um garoto de uns 15 anos de terno. O senhor ainda perguntou pro garoto, fingindo normalidade: “you want one?”, ao que o garoto responde, cool “no, I’m OK”. Basicamente cheguei bem no meio do rito de passagem do garoto, que tentava impressionar a bartender. Consegui me ver na mesma situacao, na idade dele, entao dei total prioridade pros dois.. mas o velho terminou o drink dele e os dois foram embora.

A bartender era, de fato, muito atraente. Nao só pelos atributos fisicos - cabelo liso e loiro (na altura dos ombros), olhos azuis com um aspecto alegre, sorriso levemente dentuco (mas de uma forma muito sexy), e um belo par de seios bem a mostra pelo decote da camisa preta – mas tambem pela simpatia exuberante. Ela era muito, muito, simpatica. Quis ficar mais uma semana em praga. Um mes, que seja. Me ensinou mais umas frases em tcheco, batemos papo sobre amenidades, mas tivemos uma conexao imediata que ia alem do papinho. Aí o garoto voltou, coitado. Falou umas duas frases, e foi embora dormir. Ou ficou umas 3 horas acordado, pensando no que deveria ter dito, certo de que, se eu nao tivesse atrapalhado, “rolava”. Aí chegaram os chefes dela, e o bar fechou... aí nao teve jeito. Trocamos emails, e fui pegar o meu trem. Melhor assim... se nao tivessemos sido interrompidos, a probabilidade de perder o trem de tanto bater papinho era enorme. Maldito chefe... aposto que rolava.

No trem eu dividi um quarto com um sueco bem gente boa. A cabine é super estreita e alta. Fiquei na cama de cima do beliche, com o ar condicionado perfeitamente apontado pra minha cabeca. Exigiu um certo exercicio de abstracao, mas no final das contas a viagem foi bem tranquila e conseguir dormir boa parte da noite. As 8 da matina tivemos a primeira troca de trem. Ouvi historias de terror de pessoas que perderam a troca e acabaram em outro pais para o qual nao tinham visto, etc. Paramos em uma cidade aonde se falava alemao. Tenso com a troca, fui ver todos os detalhes, e depois fui ao banheiro (pra garantir). Na parede, um grafitti: “metal fucks rap shit / Sig Heil”. Nao faço muita questao de ir pra alemanha, nao...

No segundo trem que eu parei pra escrever isto aqui tudo. Dividi uma cabine com uma mae e filha muito simpaticas (entre si, em tcheco... mas pareciam se dar super bem), uma senhora mal-humorada que eu nao entendi se era relacionada a elas ou nao, e uma popozuda versao tcheca, com direito a calca da gang, bota de cano alto com detalhe de diamantes na borda, e maquiagem de olho diferenciada. Essa ultima ficava recebendo ligacoes do namorado que ficava enchendo o saco. Bom, mas é isso por hora. A plha do meu netbook novo ta acabando, e a minha tambem. Vou tentar descansar um pouco no terceiro trem, antes de chegar a Zagreb.