No final das contas a viagem de trem foi bem tensa, com 3 trens (duas trocas, uma com uma espera de 1 hora), depois uma viagem de onibus, e ai mais um trecho de trem. Aparentemente tinha alguma obra na linha, entao tiveram de desviar. A estadia em Zagreb foi bem curta. Mesmo sendo a capital da croacia, nao tem muito o que fazer aqui. Cheguei a 1:30, e peguei o primeiro hostel que eu vi anunciado na propria estacao de onibus, a umas quadras pra direita da estacao. O hostel ja é bem diferente daquele de portugal. Simples, feio, com cara de predio do DETRAN convertido em hostel com camas de dormitorio americano, e só um lencol pra cobrir – que no caso tá mais do que bom, ja que nao tem ar condicionado mesmo. Em compensacao, apesar de feio e escuro, o chuveiro ate agora foi o melhor da viagem, uma belezura! To comecando a julgar os lugares nao pelo acabamento/limpeza dos banheiros (meu ultimo metodo de julgamento), e sim pela qualidade dos chuveiros.
Aqui a sensacao é muito mais pra o que imagino ser a russia – tanto na lingua, quando no visual mais simples das casas. Fora do centro as casinhas sao todas de teto pontudo, mas minimas e coloridas. As mais empolgadas tem patos de plastico decorando os jardins. No centro da cidade as casas sao bonitas, e tem um estilo bem parecido com o de praga, barroco. A principal diferenca é que elas estao todas mais gastas, dilapidadas, sem manutencao. Fachadas lindas mas com tijolos a mostra, enfeites rococo mais amorfos, nao sei se por menos cuidado na hora de criar ou se pelo desgaste do tempo mesmo. A cidade é bem pequena, com dois jardins principais, uma catedral gotica animal com uma fonte com 5 figuras cobertas de ouro na frente, algumas pracas, e alguns predios mais interessantes (do governo, como de praxe).
Eu cheguei tarde num domingo, entao ja estava tudo fechado, e quase deserto. Quando vi um onibus de turismo na frente da catedral ja eram 4:30, e nao tinham mais tours. Almocei meia pizza super fininha e dois iced teas, na companhia calada de uns turistas com cara de homeless, entediados, sentados nas mesas ao lado. Aqui o sol está realmente de rachar, deve estar facil uns 35 graus. Pensei nas duas gringas super branquinhas com quem viajei em um dos trechos do trem, e como elas devem estar sofrendo. Mas nao pensei muito, afinal protetor solar é uma das invencoes dos ultimos tempos que mais funciona, e elas ja sao bem grandinhas.
Com o sol do jeito que estava, uma hora parei em um casino pra ver como era dentro, e tomar uma coca no ar condicionado. O casino era bem menor do que parecia, basicamente duas salas grandes. O hightlight do casino era a bartender, mais uma vez linda e super simpatica (so que esta era morena), realmente uma gracinha. Depois de duas cocas e uma fanta (parece muito, mas cada uma tem 200 ml), e ter trocado facebooks e tal, tentei ver se saia com ela, mas ela muito educadamente falou que iria sair com uns amigos dela. Para um bom entendedor, meia palavra basta... entao voltei pro hostel, ja que nao tava com energia pra ficar mais andando pela cidade.
Depois da viagem exaustiva de trem, com ar condicionado na cabeca do comeco ao fim (e do dia anterior carregando as mochilas por umas 8 horas), acordei resfriado e dolorido (mas nao muito, surpreendentemente). Fiz bem em pegar um quarto duplo no hostel so pra mim (40 euros, nao tava mal), porque quem quer que tivesse dormido junto comigo teria sofrido um bocado. Voltei pro hostel pra descansar um pouco, e acabei dormindo umas 2 horas. Acordei com febre, mas mesmo assim voltei pra cidade pra ver como era a noite. Mais vazio ainda, mas a iluminacao dos monumentos a noite é bem bonita. Apesar de me garantirem ser completamente seguro, como bom carioca eu fiquei meio preocupado de ficar andando a noite em uma cidade fantasma, entao voltei pro hostel e tentei dormir. Só fui conseguir horas depois, coisa que me atrapalhou na hora de acordar no dia seguinte. Acordei as 10:30, e o checkout era as 10 (apesar do check-in ser so a partir das 2 da tarde, curiosamente). Foram gente boa e deixaram eu arrumar minhas coisas e tomar uma ducha (otima), pra entao partir em direcao a... ? hehe
No lobby (ja com as duas mochilas) eu chequei meu email, e a Janine veio falar comigo no messenger. Uma hora ela ligou a camera e comecou um video chat, mas (mesmo nao sendo nada de mais) tinha gente demais em volta e eu desliguei. Um brasileiro que estava do meu lado (tem brasileiro em qualquer lugar, é bem impressionante) tirou um sarro, e a gente comecou a bater papo. Na verdade foi providencial ter falado com ele, porque ele tinha acabado de fazer o tour de todos os lugares que eu basicamente quero ver por aqui, e com isso montei o meu itinerario dos proximos dias.
No momento estou em um onibus indo para Platvice, aonde tem um parque nacional supostamente fantastico, e uns lagos bacanas. Vai ser um pouco corrido, ja que aparentemente la nao tem nem aonde dormir. Depois de fazer um hike por ali, vou pra Split, e dali pra outros lugares. Pela primeira vez em seculos tive a sorte de sentar do lado de uma loirinha muito bonitinha e simpatica. Alias, to com bastante sorte nesse aspecto. Ainda nao sentei do lado de nenhum fedido, coisa que por si só já é uma vitória.
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