Cheguei em Plitvice lá pelas 2:30 da tarde. Como previsto, a parada de onibus é uma casinha de madeira simples no meio do nada. A floresta em volta é composta por arvores altas e frondosas, e alguns pinheiros. Todo o chao é coberto por arbustos baixos, e a luz do sol quase nao chega ao chao. Fui em busca de civilizacao. Andei uns 100 metros pra cima, e achei uma casa um pouco maior aonde uns mochileiros franceses esperavam o proximo onibus. Bati um papo rapido com eles em frances, e eles me apontaram na direcao dos hoteis. O dia estava super ensolarado, mas ao mesmo tempo caia uma chuva de pingos pesados, mas espaçados. Aproveitei pra usar a cobertura de chuva da mochila pela primeira vez em um mes, todo satisfeito (.
Entrei no primeiro hotel que eu vi – o Bellevue. A atendente tinha toda a pinta de ser aquela do Monstros SA (Watchowski...), mas acabou sendo bem simpatica e prestativa. Peguei um quarto com varanda por 58 euros. Sem vista nem varanda era 52, mas valeu a pena. A vista do quarto era de varios pinheiros, e um jardim de grama bem cuidada durante o dia, e da lua quase cheia sobre as arvores, a noite. O Bellevue era a uns 150 metros da entrada do parque, nao podia ser mais bem situado.
Depois de por tudo no quarto e dar uma descansada de uns 20 min, desci pra entrada do parque, lotada com turistas de todo tipo. Paguei o bilhete, e peguei o onibus/trem de tres vagoes até o topo do parque. Fui instruido a pegar a rota E, de 2-3 horas (nao daria tempo de fazer muito mais do que isso até o parque fechar, as 7:30). Dividi o onibus com 3 espanholas que nao paravam de falar animadamente umas com as outras. Comecei a conversar com elas, e rolou uma sintonia. Fomos explorar o parque juntos.
Ainda na floresta (antes mesmo de ter visto a agua direito), ja tinha tirado um monte de fotos. O parque realmente era de uma beleza singular. A mata é super bem cuidada, e ao mesmo tempo voce ve que quilo nao é um jardim, simplesmente ficou daquele jeito porque nao mexerem muito, mesmo. Em partes dava uma impressao dos jardins de Monet – despojado mas arrumado ao mesmo tempo. Aí eu vi a agua do lugar.... rapaaz... que belezura. No raso a agua era completamnete transparente, mas a cor que prevalecia era um leve verde musgo. Assim que ia ficando mais fundo (inclusive dava pra ver bem a transicao com alguns troncos claros ques estavam afundados) , a agua ia tomando um tom aqua, e depois turquesa , com um aspecto opaco, uniforme. O sol forte acentuava mais ainda a beleza do lugar, com brilhos na agua, reflexos causticos nas pedras, e deixando as cores todas extremamente vivas. É dificil dizer que foi o lugar mais bonito que eu já vi, depois de ter morado no rio, ter ido pra Fernando de Noronha, etc. Mas certamente está nos top 5. A cada esquina, uma nova vista impressionante - uma cachoeira, uma gruta (que eu nem sabia que tinha no parque), mato iluminado por tras emoldurando uma ilha completamente refletida em um espelho d’agua . Era so olhar pra baixo que voce via uns 30 peixinhos a cada esquina, e volta e meia um peixe de uns 40cm nadando junto deles, todos relaxando perto das margens, sem medo dos turistas.
Fui acompanhado nesse passeio todo de descobertas pelas tres espanholas. A Beatriz (a de amarelo), era super simpatica e risonha, e era tão compulsiva por fotos quanto eu. Nao era bonita, mas de tao simpatica que era, ficava até interessante. Raquel (com a camisa colorida), era a mais bonitinha do grupo, com belos olhos azuis. Apelidei ela de GPS porque ela ficava puxando o mapa, olhando pro relogio, estava tensa com o caminho, ficava falando que tinhamos de chegar antes do ultimo barco zarpar, etc. Ela era simpatica, mas era mais quieta. A terceira era uma morena de 1.75m, meio ogra. Acho que era bem mais timida do que as outras duas, porque nao era antipatica, era só quieta mesmo. Tinha uma tatuagem bizarra do que eu acho era um daqueles cavalos marinhos (meio com jeito de alga) no peito esquerdo. Ou entao era alguma outra coisa muito mal desenhada.
Passamos umas 3 horas juntos passeando pelo parque e tirando fotos dos lagos mais altos. Na ultima hora o pique foi bem acelerado, inclusive com direito a corrida mesmo, no final. Nos falaram que se perdessemos o ultimo barco, as 8:20, teriamos de voltar o caminho todo a pé. No final das contas o tal do trecho que tinhamos de atravessar devia ter uns 60 metros. Ainda bem que nao perdemos o barco, ou eu teria estado tentado a nadar esse trecho segurando a camera pra fora d’agua... Aqui anoitece super tarde, mas mesmo assim a luz ja era visivelmente mais baixa. Mais uma hora e o sol se poria, e realmente nao seria bom estar dento da floresta quando isso acontecesse. Fora que aqui tem ursos marrom andando na floresta. De dia voce nem pensa nisso, mas a noite...
Seja como for, conseguimos chegar na ultima hora no barco, e deu tudo certo. Subimos pra parte dos turistas, e ficamos mais uma hora e pouco batendo papo, comendo apfelstrudel e tomando uns chopps... até porque fora isso, nao tem absolutamente nada pra fazer no parque. Ou é bater papo com alguem, ou é ver TV no quarto. Seja como for, voltei pra casa tarde, tipo umas 10:30, e fiquei um pouco na internet até o sono bater.
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