Acordei cedo, crente que conseguiria acordar as 7:30, tomar um café reforçado, e sair pra explorar o parque no maior pique pra depois almocar e sair pra Split já tendo visto tudo. Ha, ledo engano.
Acordei 10 minutos antes do wake up call das 7:30 que eu tinha pedido, completamente desnorteado. Se tivessem me dito que eram 2 da tarde eu acreditaria. O corpo inteiro doia, mas em especial as panturrilhas. Alias, entre subir e descer morros com mochilas nas costas, e fazer hiking o dia inteiro, tenho feito bastante exercicio por aqui. Seja como for, voltei a dormir e só fui acordar as 10:30. Vi que seria besteira correr tanto assim, e decidi ficar mais um dia no hotel pra ver o resto do parque com calma, que afinal o visual aqui é matador.
Vi um pouco de internet, e depois fui pro hotel ao lado pra almocar um spaguetti a carbonara e uma entrada de salmão com torradas. Ontem o dia inteiro foi a base de agua e um aplfelstrudel, entao eu tava morrend de fome. O atendimento foi a passo de lesma reumática entediada, mas eventualmente saiu um carbonara decente, e uma pilha de torradas e salmão. Comida demais, na verdade. Nao querendo jogar tanta comida fora, pensei em levar as torradas pra trilha, entao pedi pra embrulhar, e voltei pro parque em busca da foto perfeita.
Ja eram 2:30 quando olhei no relogio, na entrada do parque. Daria tempo de fazer o maior percurso (o F, estimado em 6-8 horas), se eu acelerasse um pouco o passo. Agora era hora dos infeirores, que sao o cartao postal da cidade, e a tal da BIG WATERFALL. Como ja tinha visto um monte de cachoeiras, algumas inclusive bem grandes, esperava que essa tal de big waterfall fosse um monstro. Claro que foi meio decepcionante quando vi a tal da cachoeira, afinal tinha outra la no meio que era bem mais legal. O mesmo com o famoso cartao postal- o angulo que a gente consegue nao é tao bacana quanto as fotos de helicoptero do lugar. Mas verdade seja dita, nem precisaria de hype de lugar nenhum. O parque inteiro é um espetaculo. Um dos pedacos tinha umas cavernas que pareciam ser mais profundas, mas valeram bastante a pena pra mudar de ares. Apesar de super lindo, chega uma hora que sim, o visual fica um pouco repetitivo.
Nesta segunda parte eu passei um tempo com duas holandesas bonitinhas, a Marie e a Marta. A Marta era só enfeite, falou oi, e em algum momento respondeu a alguma coisa, mas era efetivamente acanhada demais (a propria Marie disse isso). A Marie era bem natural, como se fosse uma amiga fazia bastante tempo. Tem um namorado brasileiro (“estilo armario”, acabei descobrindo) que tem um hedge fund. Ou seja, só amigas temporarias mesmo... Mas valeu pra ter algumas fotos minhas (em contrapartido com as centenas de fotos de paisagens), que afinal se nao tiver uma ou outra o pessoal vai achar que eu fui pro guarujá e baixei essas fotos na internet em algum lugar.
Neste percurso maior tem um barco no meio do caminho, que atravessa o lago maior. Vale mencionar que os barcos sao todos eletricos, pra nao poluir o lugar. Tambem, apesar do calor escaldante, infelizmnte os turistas nao podem entrar na agua. Tambem pra nao poluir o lugar...
A rota maior acabava no topo do morro, aonde teria um bondinho esperando pra levar até em baixo. Como na ultima vez, consegui entrar no transporte na ultima hora, com a luz ainda mais baixa do que o dia anterior. Teria sido bem ruim perder este, tambem... de onibus foram mais de 20 minutos descendo o morro, imagina a pe, no escuro. Voltei para o hotel, e fiquei configurando o computador.
A noite, tive a brilhante ideia de ir tirar fotos da lua, e dos vagalumes que eu tinha visto no dia enterior. A lua estava quase cheia, e iluminava a rua com facilidade; nem seriam necessarios os postes de luz. Mas a ideia nao era ficar na rua, e sim entrar no mato.. ou pelo menos descer a rua pra dentro do mato. Era meia noite, e consegui umas fotos OK da lua, apoiando a camera na carteira e fazendo umas exposicoes longas. Estava andando pra la e pra ca na rua (completamente deserta) com uma camera na mao. Me senti o próprio Charles Bronson em Deathwish, com a diferença de que eu não estava acompanhado dos meus amigos Smith e Wesson. E ai comecei a pensar nos ursos... Ou em entao em assalto, sei la. Olhei pra dentro da mata, aonde a rua terminava. Se durante o dia a luz do sol já tinha dificuldade em penetrar, imagina a noite, com a luz da lua. Efetivamente, era um breu só, preto mesmo. OK, admito... afinei. Até porque a meta era tirar foto dos vagalumes (coisa que nao ia rolar de jeito nenhum sem tripe), ou da lua nos lagos (aonde eu nao chegaria sem ser esquartejado por um urso). Meio a contragosto, mas tambem meio aliviado, voltei pro hotel.... mais uma vez morrendo de fome.
Foi ai que eu descobri que nao tem nada aberto depois das 11 por aqui, nem mesmo o meu proprio hotel. Fui no hotel do lado, e nada tambem... nem uma maquina de tralhas, nem coca, nem nada. Aí lembrei das tres torrada embrulhadas em cellofane na mochila! Perguntei se a agua da torneira era potavel, e era, logico. Provavelmente a agua da torneira daqui é melhor do que a agua de muitos filtros por ai. E assim teminei a minha noite, comendo as melhores torradas borrachentas da minha vida com agua da torneira. E foi otimo!
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